Luiza fala ao público de São João da Boa Vista e região

Na semana passada a candidata Luiza Eluf esteve em visitas em de São João da Vista e região para divulgação de sua campanha . Lá, conheceu a sede do principal jornal da região e esteve em uma feijoada Beneficente ao som de Jair Rodrigues. Confraternizou ainda em almoço com prefeito da cidade, familiares e amigos. Com raízes sanjoanenses, Luiza frequentava a cidade quando criança e conta na entrevista a seguir, concedida ao jornal O Município, seus laços com a região e suas propostas como deputada federal:

Jornal O Municipio

Variedades – Entrevistas

As raízes sanjoanenses de Luiza Nagib Eluf

Na última semana o jornal O Município recebeu a visita da Procuradora de Justiça de São Paulo e escritora Luiza Nagib Eluf, candidata a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido Verde (PV), que concedeu uma entrevista falando de seu vínculo com a cidade e expondo sua opinião com relação a temas diversos.

Rodrigo Falconi – Gostaria que falasse um pouco de sua relação com São João da Boa Vista.
Luiza Eluf
– Sou filha de mãe sanjoanense. Frequentei demais a cidade durante minha infância e adolescência, quando fiz amigos e amigas que marcaram uma época de minha vida. Depois que meus avós morreram, passei algum tempo sem voltar à cidade porque a dor da perda era insuportável. Mais recentemente, consegui superar a tristeza e passei a vir regularmente a São João da Boa Vista para visitar meu irmão Fritz, que se tornou pai outra vez, e meus tios Vilma e Hélio Rezende, que são muito queridos. Meus vínculos com a cidade são indestrutíveis. Cada dia mais percebo que um pedaço de meu coração ficou aqui. Tenho tias, tios, primos e primas morando na cidade e sinto-me em casa aqui.

Rodrigo Falconi – Um rápido depoimento sobre seu pai, que fez parte da história do Rádio no Brasil e teve uma atuação intensa como advogado e professor universitário.
Luiza Eluf
– Meu pai, Alfredo Nagib, foi locutor de rádio na juventude, e, quando a televisão veio para o Brasil, integrou a equipe da TV Tupi. Fez o “Jornal Falado Tupi”, inclusive durante a Segunda Guerra Mundial, e foi muito ouvido por todo o Brasil. Depois dos 40 anos, meu pai decidiu mudar de profissão. Estudou Direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e tornou-se advogado trabalhista. Foi professor da Faculdade de Direito de São João da Boa Vista durante muitos anos. Ele era apaixonado pelo Direito e influenciou minha escolha profissional. Escreveu dois livros sobre Direito do Trabalho que fizeram muito sucesso à época. Meu pai conheceu minha mãe, Munira Nasser, em São João da Boa Vista, no casamento de seu irmão João Nagib com Adélia Adib. Ocorre que Adélia era prima de minha mãe e ambos foram apresentados naquele dia, durante a festa. O casamento de meus pais durou 54 anos, terminando em maio de 2009, quando meu pai morreu, aos cem anos.

Rodrigo Falconi – A senhora é conhecida como especialista no estudo e divulgação dos direitos das mulheres. Gostaria que falasse um pouco a respeito de sua atuação nesta área e como vê o quadro atual no Brasil com relação a esses direitos.
Luiza Eluf
– Tenho enorme empenho na defesa dos direitos da mulher. Durante muito tempo as mulheres não tiveram voz em nossa sociedade, que era extremamente machista. Hoje, estamos em uma situação melhor, mas ainda não chegamos à tão almejada igualdade de direitos. Por isso, a luta continua. Tenho vários livros publicados, dentre os quais dois sobre assassinatos de mulheres por seus maridos ou ex-maridos ou namorados: “A paixão no banco dos réus” e “Matar ou morrer – o caso Euclides da Cunha”. Participei da luta pela incriminação do assédio sexual e da elaboração da Lei Maria da Penha, dentre outras atividades que visavam alcançar a Justiça para a população feminina.

Rodrigo Falconi – Como vê a situação atual do Brasil com relação aos problemas ambientais.
Luiza Eluf
– A área ambiental é importantíssima. Sem dúvida, deve ser considerada como prioridade mundial. Vou militar sempre em defesa da preservação ambiental, pelo desenvolvimento sustentável.

Rodrigo Falconi – A senhora também é conhecida como autora de diversas obras de Direito, já citadas, algumas delas com várias edições, utilizadas em muitas faculdades do Brasil, incluindo a de São João da Boa Vista. Gostaria que falasse um pouco mais sobre essas obras.
Luiza Eluf
– Meu livro “A paixão no banco dos réus” é de 2002, mas foi lançado em São João da Boa Vista dois anos depois, no Theatro Municipal. Na ocasião, fiz uma palestra sobre o tema crimes passionais para cerca de 800 pessoas. Fiquei muito feliz com aquele lançamento e gostaria de ter a oportunidade de lançar aqui meu último livro também, “Matar ou morrer – o caso Euclides da Cunha”. Essa obra conta a história do escritor de “Os sertões”, fala de seu casamento fracassado com Ana da Cunha e relata sua morte, em duelo com o amante de sua mulher.

Rodrigo Falconi – Como foi sua experiência junto aos Poderes Executivo Estadual e Federal.
Luiza Eluf
– Exerci vários cargos no Executivo. Fui assessora na Secretaria Estadual de Segurança Pública, no governo Franco Montoro; assessora na Secretaria estadual de Justiça, no governo Orestes Quércia; e secretária nacional dos direitos da cidadania, no Ministério da Justiça, no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Por fim, fui subprefeita da Lapa, na gestão José Serra e Gilberto Kassab. Atualmente, sou candidata a deputada federal pelo Partido Verde (PV).

Rodrigo Falconi – Fale-nos a respeito de sua atuação como Subprefeita da Lapa, em São Paulo.
Luiza Eluf
– Ser subprefeita foi uma experiência muito interessante. Avalio que consegui melhorar muita coisa na região, criando praças, aumentando consideravelmente as áreas verdes, fazendo calçadas verdes, recapeando ruas, regularizando e melhorando a coleta de lixo, impondo a austeridade administrativa, zelando pela ética, lutando contra enchentes, conseguindo o tombamento de dois bairros, Alto da Lapa e Bela Aliança, em razão de suas significativas áreas verdes. Além disso, tornei públicos os projetos de operação urbana de Vila Leopoldina e outros que ainda não haviam chegado ao conhecimento da comunidade. Fiz uma gestão totalmente transparente e saí dela com 87% de aprovação.

Rodrigo Falconi – Por que decidiu se candidatar a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Luiza Eluf
– Eu sempre estive na vida política. Dessa vez, estou entrando em uma eleição, mas antes disso sempre atuei com empenho em prol das causas da coletividade. Decidi ser deputada federal para poder fazer leis, coisa que conheço bem. Vou continuar sempre lutando pelo meio ambiente, pelos direitos da cidadania, pela ética na política e pelo controle da criminalidade no intuito de melhorar a segurança pública, mas com um mandato a luta é mais eficaz. Não quero ser deputada por falta de emprego (sou procuradora de justiça do Ministério Público de São Paulo), nem por vaidade, nem por ambição. O que me atrai na política é o poder de melhorar nosso país.

Rodrigo Falconi – Como vê a atuação das mulheres na vida política.
Luiza Eluf
– As mulheres são raridade na política. Estamos subrepresentadas na Câmara dos Deputados (8%), no Senado (13%), sem falar dos cargos do Executivo, nos quais as mulheres são muito poucas. A paridade representativa é importante para que as leis e as políticas públicas possam atender a 51% da população do País, ou seja, as mulheres. É pena que a população feminina ainda não tenha percebido que é fundamental votar em mulheres, pois as pesquisas mostram que mulher prefere votar em homem. Mas isso vai mudar logo.

Rodrigo Falconi – Para finalizar, algumas palavras para os cidadãos da Região de São João da Boa Vista.
Luiza Eluf
– Aos cidadãos e cidadãs de São João da Boa Vista e Região quero deixar uma mensagem de otimismo. O descrédito na política leva à apatia, que leva à ausência de cidadania. Não podemos perder a esperança de ver melhorar nossa classe política. Sem esperança não há futuro. Vamos juntos lutar para que a Lei da Ficha Limpa se transforme em realidade, para que a Justiça seja rígida em sua aplicação e para que os legisladores e administradores públicos sejam eleitos dentre aqueles que têm um passado honesto e abonador. Uma vez eleita, estarei sempre à disposição da população de São João da Boa Vista para desenvolver e abraçar projetos de interesse da região, bem como obter recursos para que as medidas necessárias possam se tornar realidade.